Em menos de um mês, o preço do diesel S10 no Brasil saltou de R$ 6,08 para R$ 7,26 por litro — uma alta acumulada superior a 19% desde o final de fevereiro. O Brent, referência global para formação de preço do diesel brasileiro, atingiu US$ 119 por barril em 19 de março, impulsionado pela crise no Estreito de Ormuz. Desde então, recuou para a faixa dos US$ 96 (fechamento de 24 de março), mas o impacto sobre o diesel nas bombas já está consolidado: o preço do combustível sobe rápido e desce devagar. Para transportadoras que operam no Mercosul, a pressão já está nos custos de frete, nos contratos vigentes e nas negociações em curso.
Este artigo apresenta os dados verificados sobre o que está acontecendo, qual o impacto real na cadeia logística rodoviária e como a Transmaas está tratando esse cenário com seus clientes.
A cadeia causal: de Ormuz ao frete rodoviário
O que aconteceu no Estreito de Ormuz
Em 2 de março de 2026, autoridades iranianas anunciaram restrições à navegação comercial no Estreito de Ormuz, em resposta a ataques militares conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O Estreito é responsável pelo trânsito de aproximadamente 20% do petróleo consumido mundialmente. O tráfego de petroleiros caiu cerca de 70%, com mais de 150 navios ancorados fora da região para evitar riscos. Grandes operadores marítimos internacionais, incluindo Maersk, MSC e CMA CGM, suspenderam operações no Golfo Pérsico.
A Transmaas publicou análise detalhada sobre o fechamento do Estreito e seus efeitos na logística do Mercosul em artigo anterior neste blog. O que tratamos aqui é o desdobramento seguinte: como a alta do petróleo está impactando diretamente o custo do diesel e, por consequência, o preço dos fretes rodoviários internacionais.
O Brent: do pico de US$ 119 à correção para US$ 96
Antes da crise, o barril de Brent era negociado na faixa dos US$ 60. Em 19 de março, o contrato futuro atingiu máxima intradiária de US$ 119,13 e fechou a US$ 118,29 — alta próxima de 100% em menos de três semanas. Na sessão de 24 de março, o Brent recuou para US$ 95,91, acumulando queda de 3,5% na semana mas ainda 35,5% acima do nível de um mês atrás.
O cenário permanece volátil. Analistas do Goldman Sachs projetam que o Brent pode recuar para a faixa dos US$ 70 até o quarto trimestre de 2026 caso o fluxo pelo Estreito se normalize a partir de abril. Cenários mais adversos consideram cotações acima de US$ 200 caso o conflito escale.
O ponto crítico para o transporte rodoviário é que a formação de preço do diesel nas bombas não acompanha a mesma velocidade de recuo do Brent. O Brasil importa entre 25% e 30% do diesel que consome, e a defasagem acumulada entre preço interno e paridade internacional faz com que reduções no Brent demorem semanas a se refletir nos postos. O impacto sobre os custos operacionais, portanto, já está consolidado — independentemente de o Brent continuar recuando.
Diesel no Brasil: os números verificados
Evolução semana a semana (ANP, diesel S10 revenda)
O levantamento semanal da ANP registrou a seguinte escalada em março:
Semana 1 (01-07/mar): R$ 6,15/litro Semana 2 (08-14/mar): R$ 6,89/litro (+12,0% sobre semana anterior) Semana 3 (15-21/mar): R$ 7,26/litro (+6,76% sobre semana anterior)
A alta acumulada desde o final de fevereiro (R$ 6,08) até a terceira semana de março supera 19%.
Reajuste nas refinarias
Em 14 de março, a Petrobras reajustou o diesel A nas refinarias em R$ 0,38 por litro, elevando o preço para distribuidoras a R$ 3,65/litro. Este foi o primeiro aumento em mais de 400 dias — o anterior havia sido em 1º de fevereiro de 2025. Considerando a mistura obrigatória de 85% de diesel A e 15% de biodiesel, o impacto no diesel B (combustível comercializado nos postos) foi de R$ 0,32/litro.
Defasagem e risco de novos reajustes
Dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) indicam que, mesmo após o reajuste, a defasagem do diesel brasileiro em relação à paridade internacional permanece entre 60% e 74%. Isso sinaliza pressão contínua para novos repasses, caso o Brent se mantenha acima de US$ 100.
Medidas do governo federal
O governo anunciou duas medidas para mitigar o impacto: zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel (redução estimada de R$ 0,32/litro) e editou medida provisória prevendo subvenção de R$ 0,32/litro para produtores e importadores. Mesmo com essas medidas, a alta acumulada nas bombas permanece expressiva.
O impacto direto nos fretes rodoviários
Custo operacional das transportadoras
O modal rodoviário movimenta cerca de 65% das cargas no Brasil. O diesel representa entre 35% e 40% do custo operacional de uma transportadora — chegando a 50% em operações de longa distância, como rotas internacionais no Mercosul. Segundo estimativas da NTC&Logística, cada 10% de alta no diesel eleva o custo total do frete em 3,5% a 4,8%.
Na prática, a alta acumulada de 19% no diesel pressiona as margens a um nível que não pode ser absorvido internamente sem comprometer a qualidade da operação.
ANTT: reajuste do piso mínimo de frete
A ANTT publicou em 13 de março a Portaria SUROC nº 3/2026, atualizando os pisos mínimos de frete em função da alta do diesel S10. O reajuste médio da Tabela A (transporte de carga lotação) foi de 4,82%, com variações entre 4,52% e 8,17% dependendo do segmento. Com o diesel continuando a subir nas semanas seguintes, uma segunda atualização foi necessária com base no novo patamar de R$ 7,35/litro.
Reajustes em contratos de frete
Relatórios setoriais de Transvias e Edenred Ticket Log apontam que contratos de frete já registram aumentos médios de 5% a 9% em março. Em rotas longas ou de alto volume, repasses de 10% a 15% já estão sendo negociados. Os setores mais pressionados são agronegócio (escoamento de safra coincide com alta de custos), alimentos e bens de consumo, e operações no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Tensão no setor: greve suspensa, estado de alerta mantido
A alta do diesel reacendeu mobilizações entre caminhoneiros. Uma greve nacional foi convocada para 19 de março, mas após assembleia em Santos (SP) no mesmo dia, a paralisação foi suspensa. A categoria deu prazo de 7 dias ao governo federal para avançar nas negociações. Uma reunião com o ministro Guilherme Boulos está confirmada para 25 de março, e nova assembleia decisiva foi agendada para 26 de março.
O cenário permanece instável. As demandas são: revisão nos preços do diesel e cumprimento da tabela de piso mínimo de frete por parte dos embarcadores.
Como a Transmaas está tratando esse cenário
Transparência é premissa. A Transmaas está monitorando diariamente a evolução dos preços de combustível, as atualizações regulatórias da ANP e da ANTT e os desdobramentos geopolíticos que afetam a cadeia de suprimento de diesel.
Clientes com contratos ativos estão sendo comunicados individualmente sobre a necessidade de revisão tarifária. O objetivo não é simplesmente repassar custos — é garantir que a operação mantenha o padrão de qualidade, segurança e pontualidade que sustenta a confiança de cada parceria.
A revisão está sendo conduzida contrato a contrato, considerando as especificidades de cada operação. A Transmaas está trabalhando para minimizar o impacto ao máximo, mas diante de uma alta acumulada de 19% no diesel em menos de um mês — e da possibilidade real de novos reajustes — a reprecificação se torna necessária para a sustentabilidade da operação.
Continuamos atentos à possibilidade de greve e aos desdobramentos da crise no Estreito de Ormuz, com planos de contingência ativos para garantir continuidade operacional aos nossos clientes.
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Se você tem contrato ativo com a Transmaas ou está avaliando operações de transporte internacional no Mercosul, nossa equipe está disponível para discutir cenários, esclarecer o impacto na sua operação específica e alinhar expectativas de custo para os próximos meses.
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